Igor Rocha, Advogado

Igor Rocha

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Brayan Chaves Muhlen, Advogado
Brayan Chaves Muhlen
Comentário · há 11 anos
Sou "deficiente" físico, cortesia de uma paralisia cerebral no parto. Minha vida escolar, do ensino fundamental ao médio foi marcada por preconceitos, abandono e toda sorte de desrespeitos, por parte de colegas, professores e funcionários. Mesmo agora, na vida adulta, convivo diariamente com o peso dos olhares dos transeuntes na rua; me sinto uma celebridade ao mancar pela calçada.

Ao ler esta notícia, rememoro as experiências que tive em minha infância e adolescência, e renovo meu pensamento de que o ser humano, em sua maioria esmagadora, definitivamente não tem salvação. Não fosse por uma pequena - mas, ainda assim, louvável parcela das pessoas, não me importaria se nosso amado planetinha fosse fulminado por um meteoro ou coisa que o valha.

Em pleno século XXI, ano da graça de 2015, e eu sou obrigado a ler uma peça odiosa, repugnante em todo o sentido da palavra e que trata os "deficientes" - e ainda crianças! - como sacos de batata que se pode jogar para lá e para ca.

Mas, aonde vamos parar?

Para alguém dito "normal", a tarefa de vestir um par de calças, ou de calçar um tênis é corriqueira; para aqueles que, assim como eu, dependem de auxílio, pode ser um grande desafio. E eu não estou aqui para me arrogar, tampouco para me autovitimizar ou ganhar adeptos, não, não. Venho a este espaço manifestar o meu inconformismo, a minha absoluta incredulidade e, também, revolta pela forma como as pessoas com necessidades especiais - sim, porque o termo "deficiente" me soa pejorativo - são tratadas por esta sociedade hipócrita.

Nem vou longe. Na terça-feira, eleições da OAB, me dirijo à sede de minha cidade, vejo meus colegas e alguns "colegas" entre aspas mesmo com seus ternos caros e carros possantes; eu mancando, me locomovendo com auxílio do meu irmão, trajando simples camisa social e jeans, pois não sou rico. Qual a minha surpresa ao constatar que 90% dos que lá estavam sequer me dirigiram um cumprimento, um "boa tarde", nada. Nada. Advogados, membros de privilegiada casta social, me desprezando por minha condição e, pasmem, alguns inclusive esbarrando em mim ou obstruindo o caminho, mesmo sendo eu alguém difícil de não ser notado. Uma lástima.

Ser "diferente" é mesmo muito ofensivo aos olhos alheios, não é? Neste caso, sendo ofensivo aos bolsos também, não me admira que invoquem a prestação jurisdicional constitucional com base em uma podridão tão manifesta. Salafrários.

Para não me alongar mais, manifesto aqui o meu sincero desejo de que esta "ADIn" porca não obtenha êxito; custo mesmo a crer que o Supremo vá compactuar com argumentos tão torpes e medíocres, dos quais eu teria vergonha caso me utilizasse em uma petição. Se bem que, no estágio atual da sociedade e do Direito, não posso mais duvidar de nada. Aguardo o desfecho desta estória.
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